• Marcela Chanan

Brincar do quê? Para brincar ou aprender?

Atualizado: 24 de Nov de 2019

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“A brincadeira ajuda a construir a imaginação da criança, junto com vários elementos de outras culturas, por meio de um processo de aprendizado que permita comunicação, tomar decisões, compreensão de regras, expressão linguística e socialização.”[1]



Na escola as crianças têm diversas oportunidades de brincar:

Na chegada... Com os brinquedos de casa... Na brinquedoteca... No recreio... No pátio... Na quadra... Livremente...

...e brincam de diversas maneiras! Na educação infantil o tempo para o brincar tem eixo central.

O jogo simbólico está intensamente presente no cotidiano. A diversão fica cheia de imaginação, criatividade, mistérios, descobertas e encantamento.  Nessas brincadeiras a representação do mundo adulto e de personagens animados ganha um destaque especial. As crianças recriam essas experiências brincando de casinha, cinema, teatro, dentista, médico, veterinário, mercado, escolinha etc. E passam a atuar como se realmente fossem determinadas pessoas: se subordinam as regras, imitam, mudam a voz e o corpo.

Já as brincadeiras tradicionais acontecem nos espaços abertos e/ou recreio: brincadeiras com bola, com as mãos, com os pés, de roda; pega-pega, esconde-esconde, corda, amarelinha, elástico etc. Com o passar do tempo essa rica cultura infantil tem se perdido: os pequenos têm acesso direto a tecnologia (vídeo games, ipads, ipod etc), as famílias se deparam com o consumismo infantil e o espaço de natureza na escola cada vez mais desaparece. Mesmo  asssim algumas crianças procuram as plantas que existem no espaço para criarem mandalas e composições com elementos da natureza e outras quando ofereço sucata nas aulas de artes, criam seus próprios brinquedos sem que tenha falado como fazer ou o que poderiam fazer, essa necessidade dos pequenos vem à tona espontaneamente.

Assista estes vídeos:




As crianças precisam brincar na escola por simplesmente brincar, elas necessitam movimentar o corpo: pular, fazer gestos, correr etc. É importante cuidar para que as propostas não sejam apenas direcionadas, com os objetivos do que aprenderão. Brincar é extremamente importante na infância não porque há objetivos pedagógicos, mas por se tratar de crianças pequenas, é uma necessidade física, psíquica e relacional.

Pense no parquinho da escola antigamente como era desafiador: gangorra, trepa-trepa, escorregador, gira-gira, balanços, tanques de areia, natureza etc. Pense um pouco na sua infância, do que você brincava? Como eram esses momentos de brincadeira? Quem brincava com você?

Acesse sua memória da infância, com certeza trará boas lembranças e muitas brincadeiras de rua e terra. Assim como machucados, interação com diferentes idades (primos e vizinhos), às vezes só podia observar porque o irmão mais velho não deixava brincar, existiam brincadeiras de menino e de menina etc. E o repertório? Passávamos horas envolvidos, a melhor parte do dia era chegar da escola e sair na rua ou na terra para brincar: subir em árvores, entrar em contato com animais, inventar e construir brinquedos etc.

No Brasil, a mesma brincadeira em cada região pode ter um nome diferente ou uma variação de regra e em outros países segue a mesma observação. Como diz minha atual professora Lucilene Silva “O brincar é universal, o mundo todo brinca da mesma coisa”.

Nos momentos de brincadeira o papel principal do professor é garantir os materiais e os espaços que podem utilizar, fazer pequenas intervenções quando a crianças pedirem ajuda para pensar do brincar ou mediar os conflitos que aparecem.

Outro viés dessa reflexão partiu de um seminário internacional que participei onde a argentina Ana Malajovich fala sobre o brincar: 


“As crianças, ao se encontrarem com outras crianças e com os docentes, terão a oportunidade de ampliar suas capacidades de se comunicar, de brincar com os outros, de desenvolver a confiança em si mesmas e nos demais, de respeitar e valorizar as pessoas reconhecendo-se em suas semelhanças e diferenças, de ampliar sua curiosidade, suas possibilidades de exploração do ambiente, de fazer perguntas e encontrar respostas acerca de sua realidade, de estabelecer novas relações, de descobrir que pode se expressar usando não só movimentos, mas também palavras, imagens plásticas ou produções sonoras. Essas aprendizagens, para a maioria das crianças, hoje, só podem ser adquiridas na Educação Infantil.”[2]


A brincadeira e o jogo tem sido muito utilizados como meio educativo, como se os conteúdos devessem ser ensinados e organizados dessa forma na educação infantil: de uma forma lúdica e que as crianças se divirtam ao mesmo tempo. Sendo que não é possível garantir que todo conteúdo seja ensinado dessa forma.

A palavra jogo pode ser interpretada como brincadeira livre, brincadeira espontânea ou jogo dirigido, uma estratégia de ensino (bingo, por exemplo). Nestes três âmbitos o jogo dirigido é sempre mais valorizado do que a brincadeira livre, a espontânea então é vista como bagunça fora de hora.

É esperado claro que haja na escola o tempo dedicado ao ensino e aprendizagem de determinados conteúdos, mas eles não precisam ser trabalhados sempre pelo brincar.

Segundo MALAJOVICH[3] a brincadeira deve ser considerada com seriedade pelos profissionais da educação:


“(...) a brincadeira como atividade específica, que supõe compromisso, intenção dos que participam, risco, aventura, possibilidade de exploração e de fracasso, sem graves consequências, deve encontrar na dinâmica cotidiana tempos e espaços próprios de desenvolvimento, e um docente observador dessa brincadeira, que determine como e quando intervir para enriquecer as possibilidades lúdicas dos pequenos. Entretanto, defender a presença da brincadeira não deve supor que basta fazer com que eles brinquem.”


A brincadeira é ensinada de geração para geração, é um conhecimento construído socialmente, são produtos culturais que se adquirem com a interação com outros parceiros mais experientes.

O professor deve assegurar que seus alunos desfrutem da brincadeira na infância, lutem por isso nas suas escolas, o brincar deve ser cotidiano. Brincar livre, espontâneo e brincadeiras tradicionais que o professor pode apresentar para ampliar o repertório.


Dicas:

www.territoriodobrincar.com.br

www.escolaoficinaludica.com.br/brincadeiras/index.htm

www.caleido.com.br/publicaccedilotildees.html

pt.scribd.com/doc/7284403/Brincadeiras-Rua


Cd Pandalelê

Cd Abre a Roda Tin dô lê lê

Cd Bela Alice

Livro com Cd Brinquedos Cantados Ed Callis

Livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil

Livro Brincadeiras para crianças de todo o mundo

Livro A arte de brincar Ed Vozes


[1] Fonte: Brincadeiras para crianças de todo o mundo (pág. 9)[2] Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?[3]Texto: Jogar ou aprender: as duas caras da mesma moeda?



Publicação do blog antigo de 02-10-2012

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