• Marcela Chanan

GÊNERO NA ESCOLA: pequenas ações do cotidiano

Atualizado: Jun 28

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Essa é uma reflexão pessoal, meu desejo é compartilhar os pensamentos e conexões, depois de ler o manifesto "Para educar crianças feministas" da autora Chimamanda Ngozi Adichie que surge como uma sugestão, não uma receita. Essa leitura abriu um diálogo com minha prática, com o que acredito como educadora, professora e mulher. 


Durante minha trajetória como pedagoga muitas vezes fui convidada a refletir sobre minhas atitudes no ambiente escolar. Sempre envolvida em tantas formações, ouvi diversos profissionais experientes e recebi muitos puxões de orelha em relação a como tratamos nossas crianças, afinal o que está por trás da linguagem usada pelo adulto? Sim, as concepções! Então precisamos cuidar disso. Nós formamos seres humanos e devemos considerar a educação das crianças na situação histórica, social e cultural em que estão inseridas.

Meninas e meninos precisam de uma nova postura em relação a educação que recebem. Nós precisamos disso, de uma oportunidade para formarmos uma sociedade mais justa, tolerante e respeitosa, menos preconceituosa, violenta e sem tantos estereótipos.


A editora Companhia das Letras compartilhou em sua página no facebook o seguinte:


"Para educar crianças feministas" traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, que deve começar pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido por homens e mulheres, por pais de meninas e meninos.Partindo de sua experiência pessoal como mãe e filha, Adichie nos lembra como é moralmente urgente termos conversas honestas sobre novas maneiras de criar nossos filhos, e presenteia o leitor com o que chama de um mapa de suas próprias reflexões sobre o feminismo. O resultado é uma leitura essencial para todos aqueles que acreditam que a educação é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa".


Na mídia

Lembrei de alguns vídeos que me ajudaram a ampliar essa reflexão e foram muito compartilhados nas redes sociais, confira (assista todos antes de continuar a leitura):


https://www.youtube.com/watch?v=04u0UHEq2f4

Criar ambientes com direitos e oportunidades iguais para todos!


https://www.youtube.com/watch?v=xqflQwIe--A

Não reforçar os estereótipos do que é ser mulher e do que é se homem!


https://www.youtube.com/watch?v=_HywVjAhNmM

É importante que tanto meninas, quanto meninos sejam incentivados a não reprimir seus sentimentos!


https://www.youtube.com/watch?v=sdvdVnZDKZ0

O papel da escola na desconstrução de estereótipos!


https://www.youtube.com/watch?v=MI-Lq8lzFXg

Meninas e meninos nascem com a mesma capacidade para aprender!


https://www.youtube.com/watch?v=mOdALoB7Q-0

O que significa: fazer as coisas Tipo Menina?


https://www.youtube.com/watch?v=PbPVBlM_jYg

Por uma infância sem estereótipos de gênero!


Na escola


As relações de gênero são construídas desde a infância, são questões culturais, construção essa que pode ser modificada, pois são relações históricas e se deram de forma desigual. As relações existentes, padronizam e normatizam comportamentos, expectativas. Já é tempo de desnaturalizar esses padrões, desconstruí-los, renová-los.


As relações de gênero estão na escola, assim como estão na sociedade. A escola educa as relações de gênero, talvez não explicitamente, não é um tema levado para a sala de aula com os pequenos da educação infantil e séries iniciais, mas o tempo todo se constrói um lugar para o menino e para menina.


É um assunto delicado, mas necessário. São pequenas ações e atitudes que podem abrir um mundo novo de possibilidades para as crianças.

A escola deve partir da premissa do respeito aos direitos humanos: as pessoas são diversas, são diferentes e isso não é motivo para discriminação e não pode gerar desigualdade ou violência.


Os professores, assim como toda equipe precisam se informar, conhecer, ler, ouvir e olhar a própria prática, questionar sua postura, problematizar e questionar imagens que reforçam esses padrões. Exercitar o olhar, é um exercício diário. 

A escola também tem a função de apresentar figuras que quebram estereótipos sociais, fazer as crianças questionarem esses papéis. Inclusive quando escrevo professores me incomodo porque somos professoras na maior parte e porque as escolas infantis não contratam homens? Enfim...mais uma reflexão.


O adulto é referência, é modelo. As crianças confiam no que dizemos e questionam quando acham necessário ( se houver espaço e escuta). Às vezes, ouvir o outro ou observar outras crianças livres (de papéis decididos socialmente) nas brincadeiras, já garante uma nova experiência ou uma reflexão sobre a quebra de estereótipos.


Os pequenos se agarram com muita força em relação ao que esperamos deles e buscam esse modelo. Devemos desconstruir essa separação do que é para menino e o que é para menina e possibilitar que todos possam experimentar de acordo com suas vontades. Uma conversa breve e bem explicada é importante para liberá-los a experimentar o papel que desejarem. Conversas pontuais, conversas mais abertas, individuais ou em grupo, o assunto interessa muito, basta começar uma conversa que os demais se envolvem em dar sua opinião.


As crianças são muito curiosas e querem entender como funciona o mundo e os assuntos mais complexos sempre aparecem. Alguns adultos preferem fingir que não ouviram ou fogem do assunto. Eu sempre quero falar para ampliar a visão delas, seja sobre gênero, família, sexualidade, religião, raça etc. Sempre mostrando que há caminhos distintos, há diferenças, há valores e crenças, e todos devem ser valorizados e respeitados.

Crianças devem ter os mesmos direitos e oportunidades, independente do gênero. A escola precisa oferecer uma gama de materiais para brincar e permitir que as crianças o façam sem restrição de papéis.


Segundo uma reportagem do portal Eduqa.me :


Educadores devem lembrar que, durante a infância e a adolescência, as crianças ainda estão em processo de formação – e isso inclui sua sexualidade. Catalogar objetos, cores, roupas como “para meninos” e “para meninas” acaba por gerar uma distorção na compreensão da realidade dos pequenos. Mesmo maquiagens e vestidos não precisam ser banidos entre os garotos: é comum usar da fantasia e dos personagens para superar situações reais, assim como usar batom ou esmalte pode ser uma expressão artística. Isso não irá “transformar” a criança em hétero ou homossexual – essa será uma descoberta que ela fará no futuro, sem qualquer relação com os brinquedos que utilizou quando menor. O saudável é permitir que ela explore suas alternativas sem julgamento.


Crianças pequenas já empregam a palavra gay como um xingamento e chamam meninos de mulherzinha caso usem fantasias com saias ou vestidos. Meninas que gostam de futebol, são vistas como "molecas", que preferem fantasias de super heróis e chuteira, são mais alternativas e aceitas. Mas se um menino usar rosa, passar maquiagem ou se vestir de princesa, a reação dos demais é bem desrespeitosa. 


Existe uma "preocupação" e um olhar se o menino será gay ou não, é muito grave que adultos que trabalham com a formação de crianças também estejam presos nesses estereótipos, querendo encaixar cada um numa caixinha. 


É comum encontrarmos bonecas com o sexo feminino na escola, mas e o sexo masculino? E bonecas e bonecos de pano com diversas representatividades?

Tem cor de menino, cor de menina? E brinquedo? Menino pode chorar? Existe sexo frágil? Coisa de menino, coisa de menina? Profissões adequadas? Espero que os vídeos tenham ajudado a refletir. Chega desse mundo rosa presente nos brinquedos: panelinhas e tudo que é tipo de brinquedo "para meninas". Não, na vida real o mundo não é rosa! Use panelinhas de metal, panelas de verdade...


Meninas são obrigadas a fazer balé e quantos meninos são julgados por não gostarem de futebol ou preferirem as meninas para brincar?


Já tive um aluno de 9 anos que brincava de boneca na escola, mas me dizia para não tirar fotos, pois o pai não iria gostar de ver. E a escola, banca fotos de crianças brincando sem camiseta, meninas jogando futebol e meninos de vestidos (fantasia) e boneca?

Um dia, uma aluna me questionou o seguinte "Marcela, por que as histórias sempre começam 'os homens' e as mulheres?". Falando do uso de homens para se referir a humanidade, já se sentindo invisível como mulher.


Não podemos deixar que a questão de gênero e de preconceito se naturalize na escola, se cada família tem sua educação, o papel da escola é oferecer uma nova visão. Temos questões muito sérias para lidar: sexismo, misoginia, feminismo, racismo, estereótipo, sexualidade, discriminação e preconceito.


Não dá para fechar os olhos, deixar que crianças desumanizem outras crianças. Deixar que adultos que atuam na formação desses indivíduos reproduzam o que a sociedade precisa mudar. E não adianta só formação de professores, é uma mudança interna de conscientização, de abandono de postura para uma nova atitude para vida.


Na sociedade atual a escola já se depara com novas formações familiares e como conversar sobre isso com crianças pequenas? Os professores estão preparados? Estão abertos a discutir fora dos estereótipos?


Nos deparamos com muitas situações no cotidiano escolar, que refletem as crenças familiares e os estereótipos padrões, aparecendo como gozações, brincadeiras e até agressões.


O próprio conteúdo escolar, sem percebermos, apresenta aos alunos modelos de como pensar, agir e sentir referente aos gêneros, o que é adequado a cada um e o que se espera.

Quando você divide a turma entre meninos e meninas, você já pensou o porquê? Qual o objetivo? É importante que as crianças tenham as duas referências, separar por um motivo x e também não separar, propor se agrupar de forma diferente.


Precisamos mostrar as crianças que todos tem seu valor, nem melhor, nem pior. O que vale para menino, vale para menina, estamos falando da educação de crianças. Não podemos reforçar a desigualdade de gênero.


As crianças precisam crescer com toda sua potencialidade. Vamos deixar a criança se comportar como ela mesma, não ensinamos agradar os outros, ser boazinha, assim ela passará por cima dela mesma. Há crianças que não sabem ser elas mesmas, suportam e se sujeitam para ser aceitas pelo que os adultos esperam. Ensine honestidade, bondade, coragem, verdade, ensine a criança a falar o que sente quando estiver feliz, triste ou incomodada.

Eu adoro farejar todo tipo de conversa mais "cabeluda" entre as crianças e faço questão de colaborar com uma visão mais aberta: quando falo sobre algum assunto ou alguma palavra que elas acham que professora não fala ou não iria gostar de ouvir, abro um diálogo de confiança. É nítido na expressão facial delas o quanto dá um alívio saber que existem as diferenças, que devem ser respeitadas e que seria muito chato se todos fossem iguais. Existem muitos livros na literatura infantil que ajudam a conversar sobre esses assuntos mais difíceis.


Teria muito mais para refletir...


Publicação completa no blog antigo:

http://culturainfantilearte.blogspot.com/2017/05/genero-na-escola-pequenas-acoes-do.html

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