• Marcela Chanan

Investigando Plantas

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No fim do 1o semestre as crianças participaram de uma intervenção nas árvores do parque e o grupo do período integral, que frequenta às quintas-feiras, demonstrou muito interesse pelas plantas. Considerando essa curiosidade, pensei em uma oficina para o 2o semestre.

Comecei com uma roda de conversa, o grupo colocou suas hipóteses em relação a planta ser um ou não ser viva, e assim fizemos uma tabela para comparar as características em comum entre o animal, o ser humano e a planta - eles já sabiam muitas coisas, mas algumas questões permaneceram.

Na escola esse tema já faz parte do currículo, então pensei em três grandes objetivos para essa oficina: propostas dinâmicas, observação da diversidade das plantas para que essa experiência reflita nos registros e procurar responder outras questões mais individuais ao longo das vivências. Inicialmente foi isso...


No 2o semestre, o interesse cresceu mais ainda, por conta de uma observação no parque: uma das árvores, a Sibipiruna, passou por uma transformação. 

Durante o 1o semestre, a árvore que era apenas percebida por fazer sombra com suas folhas, no retorno das férias, ganhou destaque por derrubar cascas de sementes na areia, depois todas as suas folhas caíram, sua folhagem cresceu novamente e flores forraram o chão do parque de amarelo. Um espetáculo maravilhoso para os olhos e para oportunidade de brincar com as cascas e as flores.


Com essa transformação, resolvemos pesquisar e conhecer melhor as plantas da escola. O grupo fez uma busca de folhas caídas por diferentes espaços, e munidos de pinça e um saquinho transparente, recolheram uma grande diversidade de folhas para observação de suas formas, texturas, linhas, cheiros, cores....Depois organizamos todas juntas para visualizarmos melhor.


Durante essa pesquisa, eles também começaram a prestar atenção nos insetos que apareciam no jardim e até criaram "casinhas" com potes, areia, água e gravetos para brincarem durante o parque.


O grupo ficou tão interessado que várias crianças trouxeram folhas do jardim de casa, do parque, da rua...ampliando a diversidade que colheram pela escola e em outro momento a proposta foi um registro com desenho de observação e frotagem.


O documentário Life Plants da BBC, foi essencial para retomada de hipóteses e dúvidas iniciais. Puderam ampliar seus saberes e entender melhor como vivem as plantas e sua diversidade no planeta. É um vídeo incrível!


Esses são os registros do que eles mais gostaram de aprender assistindo esse documentário:


A diversidade de plantas e a contribuição dos animais para natureza foi o que mais despertou interesse no vídeo, além das plantas carnívoras.

Também fomos ao laboratório da escola para investigar as espécies lá encontradas e sentir suas texturas e cheiros.

Selecionei diferentes livros e deixei na biblioteca da sala para que pudessem pesquisar e apreciar quando quisessem.

Achei importante apresentar imagens e informações sobre as plantas tóxicas mais comuns no Brasil e as crianças reconheceram algumas espécies que se faziam presentes no espaço escolar.


Com tantas conversas e pesquisas, o assunto chegou na alimentação e aproveitamos para integrar outro tema que trabalhamos: a alimentação. Conhecer as frutas, experimentar os sabores, ver como é por dentro e por fora, fazer culinária faz parte da rotina do integral. Até criamos uma lista com cada fruta que oferecemos no cardápio, informando porque é importante consumi-la. Frequentemente, observo crianças conferindo a lista em diferentes momentos da rotina. No mês passado, visitamos a feira ao lado da escola. E com esse interesse pelo tema plantas, as crianças pesquisaram algumas árvores frutíferas e exploraram mais de perto uma muda de tomate, de morango e de capim cidreira.


Na área de arte, o grupo trabalhou com propostas de carimbo com folhas, pintura de folhas secas e desenho com interferência de folha.


Na última oficina, plantamos sementes de salsinha, manjericão e amor-perfeito. Vamos observar o crescimento e os fatores que contribuem para o mesmo. Outro fato divertido, é que depois que começaram estudar as plantas, algumas crianças começaram a separar as sementes das frutas para plantar e verificar se crescem. Também plantaram grãos de feijão, por conta de um chocalho estourado: nasceram muitos e replantamos em uma jardineira, estamos acompanhando o seu desenvolvimento.


A leitura é um momento especial, as histórias são mais longas e o grupo se mantém concentrado. Quando termino, sempre pedem para ler a próxima narrativa e ficam curiosos para saber sobre a nova árvore - cada história conta sobre uma.


O livro “Uma floresta de histórias – contos de árvores mágicas do mundo todo”, traz narrativas encantadoras que mexem com o imaginário das crianças e apresenta diferentes culturas. É uma ótima referência para explorar as representações de árvores, que muito me interessa.

Quando li a história da castanheira, minha parceira de trabalho ensinou uma brincadeira, da castanheira, chamada "Okina Kuri No" da cultura japonesa. Passaram semanas e semanas cantarolando essa canção em japonês....Ela é encontrada no livro Brincadeiras Cantadas de cá e de lá.

A partir dessas oficinas, foi possível observar o quanto o grupo desenvolveu hábitos de cuidado e de observação, considerando a dependência e a interdependência tanto dos animais quanto dos seres humanos. As propostas despertaram a sensibilidade pelas plantas e colaborou com os desenhos mais elaborados e menos estereotipados. Até a alimentação melhorou.

E as oficinas continuam...teremos uma saída pedagógica para o Viveiro Manequinho Lopes, produção de casa para pássaros, desenho com gravetos e sementes, pintura com pincel de folha de pinheiro....


Publicação do blog antigo de 1-11-2014

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