• Marcela Chanan

As cores nos espaços da educação infantil

Atualizado: Set 25

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Essa é uma pequena reflexão em relação a presença das cores no espaço da educação infantil. A intenção não é responder ou orientar sobre o ideal e sim despertar mais perguntas e inquietações.


Observo que muitas escolas optam por cores primárias ao pintar as paredes, escolher os brinquedos de madeira ou plástico para o parque e até a areia ganha cor. As cores estão no chão, nos tapetes, nos murais, nos brinquedos, em todo lugar.


Talvez esse aspecto tenha me chamado a atenção por ter estudado comunicação visual antes da Pedagogia e porque trabalhei em escolas onde havia uma preocupação com a estética do ambiente, o que se tornou referência para mim. Além de mais tarde, ao estudar a abordagem de Reggio Emilia, a abordagem Pikler e a Pedagogia Científica de Montessori, percebi que em todas há um olhar cuidadoso para os ambientes, os espaços e os materiais em relação as cores, as quantidades, a organização e os excessos de informações nas paredes. E porque será?


Você já parou para pensar que...


  • o espaço que é oferecido às crianças tem uma linguagem visual e consequentemente nós as alfabetizamos visualmente?

  • as cores no ambiente afetam nossas sensações e emoções?

  • as paredes, os materiais, a organização, todas as escolhas revelam as concepções que a escola acredita?


Não é que não deva ter cores, mas é preciso equilíbrio e harmonia. A presença das cores é importante, oferece uma riqueza perceptiva e sensorial, mas a partir de uma distribuição sem excessos.


Segundo a abordagem Reggio Emilia o ambiente é o terceiro educador, então é essencial pensar o ambiente como um projeto pedagógico que tem intencionalidade. Preparar esse espaço com cuidado, sensibilidade e participação de toda a equipe. Essa intencionalidade expressa algo, comunica algum sentido, pode envolver e seduzir ou trazer desconforto e indiferença.


Todas essas escolhas dizem respeito a dimensão estética, ou seja, como é pensada a organização e a combinação de móveis, materiais, cores, o que colocar nas paredes e até a presença de plantas. Esse cuidado estético reflete nas sensações, experiências, aprendizagens, concentração, curiosidade, encantamento e prazer de estar nesse espaço.


Uma escola viva, que reflete os processos educativos têm o colorido das criações das crianças, as memórias e as histórias documentadas em suas paredes. Tem como concepção que as crianças participam ativamente da ambientação, fortalecendo a sensação de pertencimento e a apropriação desses espaços. O ambiente pode ser lúdico sem ser excessivamente colorido.


Na filosofia Montessori as cores devem estar nos materiais, que são o foco de atenção das crianças. Mesas, chão e paredes devem ser mais neutras, há um limite de objetos por prateleiras, a mobília é acessível as crianças, o ambiente é claro e iluminado, sem hiperestimulação (em relação à cores, quantidade de objetos e coisas nas paredes).


As paredes fazem toda a diferença, as internas quando brancas ou com cores claras contribuem para que o ambiente se mostre mais iluminado, cria um ambiente mais limpo (visualmente) e facilita que os objetos e materiais chamem mais atenção. Desde a iluminação natural, ventilação, limpeza (sem excessos, inclusive pode ter vassouras e pás, cestos com pano para limpar chão e mesa, para todos manterem a limpeza), organização, visibilidade e autonomia até a escolha da disposição do mobiliário pode influenciar nas relações, na movimentação e nas possibilidades de uso do espaço.

Pensando nos espaços externos e na beleza das cores naturais e sua estética orgânica. Faz parte de pensar das experiências com a natureza, considerar algumas questões como:


  • Porque manter playgrounds de plástico, ter areia colorida e grama sintética? Porque manter apenas materiais plásticos e coloridos para areia? E depois fazer propostas com elementos da natureza dentro da sala?


Tenho dito que para uma nova imagem de criança, uma nova imagem de educador e uma nova imagem de ambiente. Estudar e repensar os espaços e ambientes na educação infantil com a colaboração de outros profissionais é uma maneira alternativa a tradicional e necessária em um momento onde falamos de uma imagem de criança potente, capaz, protagonista, criativa e professores/educadores pesquisadores, potentes, criativos, autônomos, autores.


Não tem ideia de onde começar?

Confira os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil, os Parâmetros Básicos de Infra-Estrutura para Instituições de Educação Infantil e no Currículo Integrador da Infância Paulistana. Depois comece um diálogo com o livro "Crianças, espaços e relações: como projetar ambientes para educação infantil" da editora Penso, que nos apresenta com grandiosidade aspectos importantes nesse processo de ressignificar o olhar. Visite escolas ou espaços que você admira, anote, fotografe, sensibilize seu olhar, questione, dialogue com outros educadores, pesquise e estude outras referências. Independente da escola ter mais ou menos recursos essa é uma reflexão e uma postura necessária.


Leia sobre a psicologia das cores usada pela arquitetura, design, artes visuais, publicidade etc. Pesquise outras áreas e amplie seu conhecimento, você vai descobrir que uso das cores não é aleatório e tem um porquê. As cores das paredes, por exemplo, podem deixar o espaço com a impressão de ser maior ou menor, de proximidade ou distância, mais baixo, mais ato, mais estreito. Esses e outros aspectos são encontrados no estudo da psicologia das cores. E é maravilhoso pensar nessa relação do ser humano com as cores.


*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia ou divulgação sem autorização prévia.

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