• Marcela Chanan

A fotografia como registro pedagógico na educação infantil

Por Marcela Chanan


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Meus primeiros escritos sobre fotografia foram no blog antigo com as publicações sobre "A construção do olhar" e "Eu e a fotografia: um percurso na educação".


A última vez que escrevi sobre minha relação com a fotografia foi em 2017, ou seja, faz tempo e meu olhar já se transformou, por isso achei interessante retomar esse processo. Neste mesmo ano, iniciei estudos no Instituto Sedes sobre Piscanálise e só por 2018/2019 me dei conta do quanto meus estudos sobre o brincar livre, a cultura infantil, as pedagogias da infância e a pós-graduação em Educação de 0 a 3 anos, influenciaram em meu olhar e contudo, em minhas fotografias.


Certo dia, me perguntaram "Como você faz parar tirar essas fotos?", em busca de entender melhor meus processos (subjetividade) e fiquei com essa pergunta na cabeça, tentei escrever, mas não consegui, há muita complexidade. Neste último ano, comecei a falar sobre a fotografia como registro pedagógico na perspectiva de compartilhar um pouco o meu olhar em relação ao trabalho com fotografia no fazer docente e ir tornando mais claro meus processos.


Para começar, sou uma curiosa que se interessa por diversas linguagens da arte e dedica parte da vida a estudar e viver cada uma delas. Meu interesse no campo da fotografia e educação aconteceu durante o percurso como professora, fotografo desde o estágio, mas com diferentes intenções e finalidades. Conhecer, estudar praticar e apreciar as diversas linguagens da arte, contribui muito para a sensibilização do olhar e a compreensão dos processos criativos que os artistas vivem com suas produções.


Como a fotografia na educação infantil pode ser contemplada de diferentes formas, meu foco está na construção do olhar, na compreensão da concepção de criança, no autoconhecimento e nas especificidades do ato e do olhar fotográfico, com referências dos dois campos de estudo.


Acredito que precisamos saber melhor da nossa prática pedagógica (fazeres e saberes), antes de sair clicando tudo, a fotografia não deve se sobrepor ou ser mais importante do que estar com as crianças. Por isso, acho importante trazer alguns fundamentos da educação infantil durante os encontros que realizo com professores(as), pois a questão não é apenas aprender a técnica ou ter a melhor câmera.


Há quem faça um bom trabalho e lhe falta intimidade com a linguagem fotográfica, há quem tem essa proximidade, mas lhe falta a prática pedagógica. É preciso buscar um equílibrio, pois as práticas (pedagógicas e fotográficas) caminham juntas e tornam-se visíveis por meio dos registros.

Registro o cotidiano na educação há mais de 10 anos, estudo, troco, compartilho e vejo muita potência, pois é a partir deles que se materializa o acompanhamento do desenvolvimento e das aprendizagens de bebês e crianças na escola e cria-se a documentação, um outro processo mais complexo. Portanto, dizer que a fotografia é um registro pedagógico requer uma concepção muito séria, todos os registros são importantes e revelam a expressão e a subjetividade de cada professor(a). Nesse sentido, o recorta e cola, as cópias, os receituários e os olhares homogêneos são claramente identificados.


A fotografia não é um simples registro que você clica sem intenção alguma, que monta uma cena, registra uma pose ou um contexto sem sentido. Há a intencionalidade pedagógica e a intencionalidade do que se deseja comunicar por meio da criação de uma imagem. E por mais que se estude sobre fotografia, vale lembrar que não é uma coisa só, existem linhas e teorias distintas.


A escrita, assim como a fotografia, revela o olhar do professor e todas as escolhas que precisa fazer para organizar os registros e compor a relação texto e imagem. Existem professores mais descritivos, mais poéticos, que entrelaçam mais facilmente vários saberes etc, e todos são válidos, a diversidade de formas de fazer e expressar é enriquecedora para o grupo docente; imagina que tédio todo mundo fazendo igual, por isso também reforço a necessidade de autoria e criatividade docente. Sem passos a seguir, modelos, tabelinhas ou dicas que tanto fazem sucesso. O convite é para subverter a fotografia posada, comprobatória e ilustrativa.


Esse ano fotografei só um pouquinho, pois trabalhei no presencial e já senti como meu olhar mudou. Estamos sempre em processo, conforme os estudos e as práticas com a fotografia caminham.


Já escrevi aqui no blog sobre observação e escuta que é de onde vem grande parte da minha inspiração para fotografar. Ano passado, durante a pandemia, comecei fazer algumas oficinas de fotografia para professores, este ano me lancei em me expressar com a fotografia de forma artística: levei meu trabalho com a educação infantil para o campo artístico e recebi um belo de um feedback, supreendi fotógrafos experientes e aprendi muito com eles.


Para quem acompanha meu perfil no instagram o @culturainfantil onde compartilho alguns desses registros fotográficos vai perceber essa mudança, algumas fotos ali são usadas para compor uma documentação em um contexto mais amplo, outras são recortes do cotidiano e outras são totalmente pra mim, pura subjetividade. E para publicação de hoje, escolhi propositalmente, fotos antigas misturadas com outras mais recentes do meu perfil pessoal @olharpraver para dialogar com essa reflexão, para cada um fazer uma leitura bem pessoal.

Pra quem me acompanha sabe que não paro quieta, fotografei muito na quarentena, também escrevi sobre isso aqui no blog.


Para finalizar tem um dado importante e talvez estranho para compartilhar: desde que comecei a fotografar de forma mais expressiva, subjetiva e intencional foi a partir de pesquisas que eu mesma quis realizar nos espaços onde trabalhei, a partir de estudos e curiosidade própria.


Não fotografo por obrigação, likes nas redes sociais, burocracia, comprovação, vaidade ou sei lá o quê. Fotografo para mim, tenho um prazer imenso em fazê-lo e as crianças sempre foram o motivo de toda minha dedicação profissional.



*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia sem autorização prévia. O compartilhamento da publicação na íntegra diretamente do blog (link e via redes sociais) é livre. E para impressão é obrigatório colocar a referência.


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