• Marcela Chanan

Desformar, reformar, transformar: ser professora formadora.

Atualizado: Jul 6

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Comecei a trabalhar com formação de professores ao ser convidada para compartilhar o que aprendi em um curso sobre a abordagem Pikler realizado na França (2014). Depois dessa experiência, recebi outros convites e assim iniciei meu percurso como professora formadora.


Hoje consigo refletir sobre esse percurso, perceber como transformei esse fazer ao longo dos anos e continuo nesse processo de aprimoramento. A cada encontro formativo tenho a oportunidade de ampliar a escuta empática e essa postura enriqueceu meu olhar para a diversidade de contextos quando falamos em formação para professores de educação infantil. A escuta me aproximou do diálogo real, fortaleceu uma postura crítica e autoral, além de trazer clareza do público alvo que quero atuar e contribuir.


Vale lembrar que estar nesse lugar de professora formadora, envolve uma porção de fatores que definem uma perspectiva a partir da minha história pessoal: ambiente onde cresci, gênero, idade, condições sociais, experiências, formação profissional, certa inquietação e opção política. Portanto, ser professora formadora é compartilhar um olhar que tem origem no meu ser e fazer, a partir da minha subjetividade e identidade profissional construída dentro e fora da profissão.


Desde que me formei, no final de 2006, participo de seminários, congressos e premiações. São mais de 10 anos de estudo, pesquisa, prática, registro, troca e investimento na minha formação. Acredito muito nesse ciclo contínuo.


Quando digo que sou formadora tenho consciência do meu papel: a intenção é provocar reflexão, ampliar o olhar, abrir janelas, acender uma luz, inspirar e me posicionar sobre concepções que são inegociáveis. Eu não formo professores, quem se forma é a própria pessoa, no sentido que é a busca por conhecimento, autoconhecimento, reflexão, autonomia e abertura de cada um, que o faz sair da zona de conforto e ser autor de seu percurso. Curiosidade! Mas isso não me exime da responsabilidade de ser formadora, não basta ler um livro para ministrar um curso.


Eu mesma continuo nesse processo de formação continuada: ora compartilho minhas práticas e estudos, ora escuto e aprendo com outros profissionais. A formação não se esgota nem para os formadores, vou além da pedagogia, procuro conhecer múltiplos saberes e fazeres de diferentes profissionais e linguagens.


Os professores de educação infantil formaram-se em diferentes momentos e instituições, consequentemente, por teorias e práticas que nem sempre dialogam a educação contemporânea, por isso brinco com algumas palavras e saliento o quão importante é refletir sobre a possibilidade de desformar, reformar ou transformar a formação:

  • Formar - dar forma, estrutura.

  • Desformar - sair da forma, forma que pode estar ultrapassada, rever as concepções.

  • Reformar - melhorar, perceber onde está o que precisa ser alterado, nem tudo está perdido.

  • Transformar - modificar a forma, dar uma passo a frente.


Um dos motivos pelo qual sempre procurei me inscrever em seminários, congressos e premiações é para meu trabalho ser avaliado por especialistas: receber o olhar de alguém com interesse e desejo de saber mais sobre o que fiz. Porque nem sempre isso acontece na escola, há pouca troca, tudo acontece sempre com o tempo muito justo.


O blog Cultura Infantil nasceu por essa necessidade de troca e diálogo. Hoje quando revisito os registros do blog antigo www.culturainfantilearte.blogspot.com.br consigo ver meu percurso profissional. É muito interessante acompanhar a própria progressão.

Aprendi e gostei de fazer os trabalhos de conclusão de curso, tanto da graduação quanto das especializações e por serem pesquisas realizadas com orientação, tiveram papel formativo essencial.


No começo do meu percurso como professora, tive uma experiência de trabalho que foi a base do meu fazer: havia motivação na produção de planejamento e pesquisa (ofereciam supervisão, cursos, textos, participava de assessorias internacionais, seminário interno, reuniões pedagógicas formativas), com acompanhamento e devolutiva de uma coordenação que tinha respeito por minha produção, que contribuía com reflexões e perguntas, me despertando admiração por sua pessoa e pelo cuidado e investimento que a escola me oferecia. Nesse período aprendi que teoria e prática só funcionam juntas. Não poderia deixar de dizer que havia dedicação, compromisso e muita vontade de aprender da minha parte. Acredito que essa é uma peça chave! Dedicação e interesse das duas partes.


A função dos coordenadores, e consequentemente a formação deles, têm um papel fundamental na formação dos professores e na relação que se estabelece com a equipe: ética, respeito e valorização da autoria e criatividade docente.


Sabe aquele profissional que passa o período todo junto com você e com as crianças? Sim, os professores auxiliares! Tiveram seu papel no meu percurso! Foram muitas parcerias em sintonia, pois estavam em busca de aprender e aproveitar as oportunidades que lhe eram colocadas, sempre os tratei de igual para igual, como um segundo professor na sala e estava atenta às suas potências. Pessoas que me impulsionaram e fortaleceram! Assim como acreditaram em mim e no meu potencial quando estive nessa função.


Seguindo essa linha teria que agradecer a algumas coordenadoras, professoras parceiras de segmento e acompanhantes terapêuticos também. Essa rede tão importante e desafiadora que é o trabalho em equipe. Nesse aspecto ainda sinto falta de uma experiência fortalecedora nesse sentido de grupo.


Uma coisa muito importante pra mim é a confiança e o reconhecimento do trabalho do professor, gosto de trabalhar com liberdade e criatividade é nisso que acredito. Algumas escolas chegaram a incorporar meus projetos nos currículos. Muita satisfação! Mas nem tudo são "flores", já tive experiências muito difíceis de disputa, mentira, vaidade e assédio moral, onde precisei me reinventar ou mesmo desistir, escolher outros rumos. E sempre penso no lado positivo para aprender algo, embora algumas tenham deixado marcas não muito boas.



Acredito que nossa formação em Pedagogia deixa muitas lacunas por sermos professores polivalentes. Precisamos estudar as diversas linguagens, as linhas pedagógicas, o desenvolvimento infantil, ler na fonte todos e todas grandes mestres que pesquisaram a criança, garantir experiências estéticas, dentre tantas outras coisas...


Por fim, assim como há conceitos envolvidos na ação pedagógica relacionadas ao fazer com as crianças, o professor deveria receber o mesmo: o professor trabalha com a criança e o gestor com o professor, porque a gente só oferece o que tem, aprendeu, vivenciou. Um ciclo que se retroalimenta.


  • Boa construção de relações entre a equipe na escola;

  • Confiança e segurança para explorar o seu fazer;

  • Materiais e espaços diversificados (apoio para a busca e reinvenção);

  • Desafios nem tão difíceis, nem tão fáceis (cada um tem seu tempo e ritmo);

  • Protagonismo para o professor, isso envolve liberdade e autonomia, para construir um professor potente, capaz, que se sinta valorizado.

  • Ambiente que proporcione pesquisa, investigação, descobertas para aprender por suas experiências e por vontade própria;

  • Escutar e olhar esse professor, não controlar, não oferecer tudo pronto, compreender suas necessidades, ser acolhido;

  • Cada professor pode ser bom em uma ou mais linguagens e precisar desenvolver-se em outras, ok!


Encerro com a indicação de um livro que veio à minha cabeça agora: Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. Leitura Obrigatória!



*todas as imagens e o vídeo foram feitos durante alguns encontros formativos.

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