• Marcela Chanan

Escuta e infância: viver o cotidiano sensível.

Atualizado: Set 25

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Viver o cotidiano sensível com bebês e crianças é estar presente, inteiro, disponível, atento, curioso, interessado, em busca, aberto ao inesperado, as sutilezas, as miudezas, as metáforas e a tantas outras especificidades de ser educador(a) da infância. Maravilhar-se com cotidiano e com a potência das crianças que nos ensinam diariamente.


Costumo dizer que observação e escuta andam de mãos dadas, não consigo imaginar uma sem a outra na prática cotidiana com as crianças - é como se também escutássemos com os olhos.


A atitude permanente de escuta está ligada a concepção de criança, ou seja, a imagem de criança que cada um carrega dentro de si, construída a partir da história pessoal (memórias e experiências) de cada um. Por isso, muitos pontos de vistas, diferentes ângulos, olhares e interpretações entre um grupo de adultos.


Escuta é mais que ouvir e anotar as falas das crianças, é mais abrangente. Não é fácil de se ensinar e de repente a pessoa escuta, não é uma receita. É um exercício, uma construção, que envolve estudo, tempo, silêncio, pergunta, troca, continência; um estado de ser, uma abertura ao outro que acontece na prática e com todos os sentidos. Dar voz, vez, valor, visibilidade ao outro e, consequentemente, a si mesmo. Algumas perguntas ajudam a começar uma reflexão:

  • Por que você acredita ser importante escutar?

  • Como foi sua relação com a escuta na infância? Foi escutada?

  • Você se escuta?

  • Há algum momento da sua vida adulta onde você escuta outros adultos e é escutada? *Escuta onde o outro não opina, não comenta, não critica, só ouve e acolhe.


A minha observação e escuta tem sido construída a partir de múltiplas referências: Paulo Freire e Madalena Freire, as pedagogias da infância das quais estudo - Pikler, Reggio Emilia e Montessori; a psicanálise, a antropologia, a fenomenologia, as artes visuais e a CNV - Comunicação não-violenta. Veja que não é simples! E as referências podem ser variadas de acordo com o caminho de cada um. É um processo singular que alguns pessoas podem se identificar comigo e outras não, e terem outros percursos.


Acredito que passar por essa experiência de escuta contribui para meu fazer. Estou há alguns anos em um processo de autoconhecimento a partir da psicanálise, também estudo essa escuta psicanalítica e busco colocar em prática.


Desde o começo da profissão valorizo, considero e reflito sobre o que as crianças trazem e essa postura sempre me sensibilizou. Traz uma profundidade nas relações.


A escuta é uma competência para vida, para todas as relações, não só na escola com as crianças, então você pode começar a qualquer momento o tempo todo.


Em outro momento eu escrevi no blog um pouquinho sobre a antropologia, observação e concepção de criança, confira aqui https://www.blogculturainfantil.com.br/post/o-olhar-do-educador-contribuições-da-antropologia-da-criança. A fenomenologia contribui com o olhar para os processos e a escuta mais ampla e conectiva. Todas as experiências com arte e cultura me trazem conhecimento sobre eu mesma e o outro, sobre estar em relação. E a fotografia com certeza me ensinou muito com o olhar, o foco, o estado de atenção, o micro e o macro.


Então convido cada um de vocês a pensar na sua própria trajetória! E vamos de arte para continuar o assunto:


Depois dessa leitura sensível e poética, reflita: como está sua orelha-criança?


  • Envolvida, ativa e curiosa com o cotidiano cheio de pesquisa e investigação de bebês e crianças?

  • Centrada na criança ou em si mesmo?

  • Aberta ao novo, ao inesperado e ao não saber?

  • Em busca de sentido e significado?

  • Atenta as cem linguagens? As muitas formas de expressão?

  • Interessada no genuíno, no que há de mais rico da infância?

  • Comprometida com a valorização e a visibilidade do que as crianças trazem?


A observação, a escuta, o estudo, a reflexão e a postura de professor-pesquisador fazem parte da prática pedagógica na educação infantil. Registros, documentação, projetos, planejamentos...emergem dos bebês e das crianças no cotidiano. Sem perder de vista o currículo, são os pequenos que nos guiam. E como as crianças são diferentes e os grupos mudam, as práticas do professor também mudam a cada ano.


Nessa live você confere um pouco mais do que trouxe nessa publicação:


POR UMA OBSERVAÇÃO E UMA ESCUTA SENSÍVEL!


*Todos os direitos autorais das imagens e texto reservados para Marcela Chanan. É proibida sua cópia ou divulgação sem autorização prévia.

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